O papel da auditoria na entrada de empresas em mercados estrangeiros

Diego Velázquez
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A auditoria é peça-chave para, segundo Alberto Toshio Murakami, garantir a entrada segura de empresas em mercados estrangeiros.

Alberto Toshio Murakami, auditor aposentado, alude que expandir as operações para outros países é um passo estratégico para muitas empresas que buscam crescimento, diversificação de receitas e acesso a novos consumidores. No entanto, essa decisão envolve riscos regulatórios, fiscais e operacionais que precisam ser avaliados com cuidado. A auditoria deve ser tratada como uma etapa fundamental do planejamento de internacionalização, pois permite identificar vulnerabilidades antes que elas se transformem em custos elevados ou barreiras à entrada. 

Diferentemente de operações domésticas, a atuação em mercados estrangeiros exige adaptação a regras contábeis, tributárias, trabalhistas e comerciais que variam significativamente entre países. Ignorar essas diferenças pode comprometer a viabilidade do projeto e gerar impactos financeiros e reputacionais relevantes.

Se sua empresa considera atuar fora do Brasil, compreender o papel da auditoria nesse processo é essencial para uma expansão mais segura. Venha saber mais no artigo a seguir.

Por que a expansão internacional aumenta a complexidade regulatória?

Cada país possui seu próprio conjunto de normas que regulam a constituição de empresas, a apuração de tributos, a contratação de funcionários e a prestação de serviços. Alberto Toshio Murakami informa ainda que tratados internacionais e acordos comerciais podem criar obrigações adicionais para empresas estrangeiras.

Para Alberto Toshio Murakami, o papel da auditoria é decisivo ao reduzir riscos e garantir conformidade na expansão internacional das empresas.
Para Alberto Toshio Murakami, o papel da auditoria é decisivo ao reduzir riscos e garantir conformidade na expansão internacional das empresas.

Muitas organizações subestimam essa complexidade e partem para a expansão com base em modelos operacionais que funcionam no mercado de origem, mas que não são compatíveis com o ambiente regulatório do país de destino. Essa incompatibilidade pode resultar em atrasos no início das operações, multas e até impedimentos legais para atuação.

A auditoria, nesse contexto, ajuda a mapear essas exigências e a avaliar se os processos internos da empresa estão preparados para atender às novas regras.

Auditoria como etapa do planejamento estratégico da internacionalização

A auditoria prévia à entrada em um novo mercado funciona como uma espécie de diagnóstico da empresa em relação às exigências externas. Esse processo pode incluir análise de demonstrações financeiras, revisão de contratos, avaliação de controles internos e verificação de conformidade tributária.

Tal como explica Alberto Toshio Murakami, incorporar a auditoria ao planejamento estratégico permite que a empresa identifique ajustes necessários antes de realizar investimentos mais elevados, como abertura de filiais, contratação de equipes locais ou firmar parcerias comerciais.

Além disso, esse diagnóstico facilita a definição do modelo de entrada mais adequado, seja por meio de subsidiária, joint venture, franquia ou representação comercial, considerando os riscos e obrigações associados a cada formato.

Principais falhas de empresas que ignoram a etapa de auditoria

Empresas que avançam para mercados estrangeiros sem uma avaliação técnica prévia costumam enfrentar problemas recorrentes. Entre os mais comuns estão erros na apuração de tributos, descumprimento de normas trabalhistas e falhas na estruturação de contratos com fornecedores e parceiros locais.

Essas falhas podem gerar não apenas custos financeiros, mas também desgaste com autoridades regulatórias e perda de credibilidade no novo mercado. Em alguns casos, a empresa é obrigada a interromper as operações para regularizar pendências, o que compromete o retorno sobre o investimento realizado.

Outro risco apontado pelo ex-auditor, Alberto Toshio Murakami, é a exposição a práticas comerciais inadequadas, especialmente em ambientes com maior complexidade regulatória, onde a falta de controles internos pode facilitar fraudes ou irregularidades.

Como estruturar um processo seguro de entrada em outro país?

Um processo de internacionalização mais seguro começa com a definição clara dos objetivos da expansão e da estrutura operacional pretendida. A partir disso, a auditoria pode ser direcionada para avaliar os aspectos mais críticos do projeto, como viabilidade financeira, conformidade legal e adequação dos controles internos.

Conforme evidencia Alberto Toshio Murakami, é recomendável que a empresa conte com apoio local especializado, que conheça as particularidades do país de destino e possa complementar a análise com informações práticas sobre o ambiente de negócios.

Outro ponto importante é a revisão periódica após o início das operações, garantindo que os processos continuem alinhados às exigências legais e às melhores práticas de governança, especialmente em mercados sujeitos a mudanças frequentes na legislação.

Auditoria como investimento para crescimento sustentável

Embora a auditoria represente um custo inicial no processo de expansão, seus benefícios tendem a superar amplamente esse investimento ao longo do tempo. A identificação precoce de riscos reduz a probabilidade de penalidades, retrabalho e ajustes emergenciais, que costumam ser mais onerosos.

Como destaca Alberto Toshio Murakami, tratar a auditoria como parte da estratégia de crescimento contribui para decisões mais informadas e para a construção de operações internacionais mais sólidas e confiáveis. Em um cenário de negócios cada vez mais globalizado, a conformidade e a transparência deixam de ser apenas exigências legais e passam a ser diferenciais competitivos.

Ao integrar a auditoria ao planejamento de internacionalização, a empresa aumenta suas chances de sucesso e reduz incertezas em um dos momentos mais críticos de sua trajetória de expansão.

Autor: Dovah Kiin

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