Em meio ao reposicionamento energético europeu observado nos últimos anos, Paulo Roberto Gomes Fernandes voltou a Portugal, em agosto de 2023, para dar continuidade a uma série de negociações estratégicas envolvendo a atuação da Liderroll nos setores de gás natural e geração solar. A movimentação ocorreu em um momento em que o país se consolidava como um dos principais polos de atração de investimentos em energia no continente, combinando infraestrutura logística, estabilidade regulatória e localização geográfica privilegiada.
Portugal, além de abrigar uma expressiva comunidade brasileira, passou a ocupar papel central nas discussões sobre segurança energética europeia. O Porto de Sines, em especial, ganhou destaque como potencial hub de gás natural liquefeito, não apenas para abastecimento interno, mas também como ponto de redistribuição para outros mercados da União Europeia. Foi nesse contexto que as conversações conduzidas pela Liderroll se intensificaram.
O Porto de Sines e a consolidação do hub energético
À época, o terminal de gás natural da REN, em Sines, já operava com cargas regulares, incluindo navios provenientes de Sabetta, na Rússia, e mantinha negociações avançadas para ampliar o recebimento de gás oriundo dos Estados Unidos. A estratégia portuguesa previa, além da ampliação da capacidade de regaseificação, a construção de novas interligações dutoviárias com a Espanha, permitindo o escoamento do gás para outros países europeus por meio de gasodutos já existentes.
O tema vinha sendo acompanhado de perto por autoridades portuguesas e norte-americanas. O então embaixador dos Estados Unidos em Lisboa, George Glass, tratava o Porto de Sines como peça-chave para a diversificação das fontes de energia da Europa. Declarações conjuntas entre os dois governos reforçavam a relevância estratégica do terminal como ponto de entrada atlântico do GNL, reduzindo a dependência de rotas mais longas e vulneráveis.
Dentro desse cenário, Paulo Roberto Gomes Fernandes manteve reuniões com representantes do porto e com empresas ligadas à operação logística e energética, discutindo desde o aproveitamento de áreas e layouts operacionais até a possível aplicação de tecnologias patenteadas da Liderroll em píeres e sistemas de movimentação de dutos.
Expansão técnica e projetos internacionais em análise
Paralelamente às negociações em Portugal, a Liderroll avançava em tratativas com empresas de outros países europeus, como Espanha e Polônia, visando a exportação de soluções técnicas desenvolvidas no Brasil. Um dos projetos em estágio mais avançado envolvia a cidade de Wisła, na Polônia, onde autoridades locais buscavam soluções para a travessia de um oleoduto sob o rio Vístula.

Paulo Roberto Gomes Fernandes ressalta que o desafio técnico chamava atenção pelo grau de complexidade. O túnel existente, com pouco menos de 4,4 metros de diâmetro, deveria receber dois tubos de aço de 55 polegadas, com elevada espessura de parede, além de enfrentar três curvas horizontais acentuadas ao longo de mais de um quilômetro de extensão. Diante dessas condições, a Liderroll foi convidada a avaliar não apenas o lançamento das tubulações, mas a execução do projeto em regime EPC, incluindo obras civis auxiliares.
Energia solar e projetos descentralizados
Outro eixo relevante da agenda foi a energia solar. Em 2023, Portugal registrava crescimento expressivo da potência fotovoltaica instalada, com aumento superior a 16% em relação ao ano anterior. Diferentemente do que ocorria em ciclos anteriores, a expansão não se concentrava apenas em grandes usinas, mas principalmente em projetos descentralizados voltados ao autoconsumo residencial e empresarial.
Esse movimento despertou o interesse da Liderroll e de parceiros locais, que passaram a avaliar oportunidades em soluções integradas para pequenos e médios consumidores. Reuniões com empresários portugueses do setor solar buscaram mapear áreas com potencial de desenvolvimento e identificar modelos de negócios compatíveis com a realidade regulatória europeia.
Durante a mesma viagem, Paulo Roberto Gomes Fernandes relata que foram realizadas visitas técnicas no norte de Portugal para avaliação de áreas destinadas à produção de gases considerados verdes, insumos que poderiam alimentar projetos futuros de dutos específicos.
Um movimento alinhado ao novo mapa energético europeu
Ao final da agenda, a avaliação interna foi de que Portugal oferecia um ambiente propício para a diversificação das atividades da empresa brasileira na Europa. A combinação entre gás natural, energia solar e projetos de infraestrutura conectava-se diretamente às transformações do setor energético após a pandemia e em meio às tensões geopolíticas internacionais.
Paulo Roberto Gomes Fernandes conclui que a estratégia da Liderroll naquele momento não se limitava à execução pontual de projetos, mas à construção de uma presença técnica sustentável em mercados onde a demanda por soluções eficientes, seguras e de rápida implementação vinha crescendo de forma consistente. A viagem de agosto de 2023, vista em retrospecto, marcou mais um passo nesse processo de internacionalização, articulando oportunidades em diferentes frentes e consolidando diálogos que continuariam a se desenvolver nos anos seguintes.
Autor: Dovah Kiin
