Compliance empresarial: Gilmar Stelo explica por que deixou de ser tendência e se tornou necessidade obrigatória

Diego Velázquez
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Gilmar Stelo e Stelo Advogados Associados

Durante anos, o compliance foi tratado como diferencial competitivo reservado a grandes corporações. Gilmar Stelo, advogado e fundador do escritório Stelo Advogados, observa que esse cenário mudou de forma definitiva: a conformidade legal e ética deixou de ser opção e passou a ser requisito para empresas que desejam operar com segurança jurídica no mercado brasileiro. 

Ao longo deste artigo, serão abordados o conceito de compliance empresarial, os marcos regulatórios que o tornaram indispensável, os riscos do descumprimento e como estruturar um programa eficaz, independentemente do porte da empresa.

O que é compliance empresarial e por que ele importa?

Compliance é o conjunto de práticas, políticas e mecanismos adotados por uma organização para garantir que suas operações estejam em conformidade com a legislação vigente, regulamentos setoriais e padrões éticos internos. Vai além do simples cumprimento de leis: envolve a construção de uma cultura organizacional orientada pela integridade e pela prevenção de riscos.

A relevância do tema cresce à medida que o ambiente regulatório se torna mais complexo e as exigências de transparência aumentam. Empresas que ignoram o compliance não apenas se expõem a sanções administrativas e penais, mas também comprometem sua reputação perante clientes, parceiros e investidores, ativos que, uma vez perdidos, são difíceis de recuperar.

Quais leis tornaram o compliance obrigatório no Brasil?

A Lei Anticorrupção, em vigor desde 2014, foi um divisor de águas na relação entre o setor privado e a conformidade legal. Ela estabeleceu a responsabilidade objetiva das empresas por atos de corrupção praticados em seu nome, independentemente de dolo ou culpa, e passou a prever multas elevadas e a possibilidade de dissolução compulsória.

O doutor Gilmar Stelo, especialista na área jurídica, contenciosa e administrativa, com pós-graduação em Direito Civil e Processo Civil e pós-graduação em Direito da Economia e da Empresa pela FGV, destaca que a Lei Geral de Proteção de Dados e as normas de governança corporativa ampliaram ainda mais esse cenário. Hoje, uma empresa sem programa de compliance está vulnerável em múltiplas frentes regulatórias simultaneamente.

Gilmar Stelo e Stelo Advogados Associados
Gilmar Stelo e Stelo Advogados Associados

Quais são os riscos concretos para empresas sem programa de compliance?

Os riscos vão além das multas. Uma empresa sem controles internos adequados está sujeita a investigações, processos judiciais, bloqueio de contratos com o poder público e danos reputacionais que afetam sua capacidade de gerar negócios. Em setores regulados, como saúde, financeiro e educação, o descumprimento pode resultar inclusive na suspensão do funcionamento.

O doutor Gilmar Stelo, advogado e fundador do Stelo Advogados, aponta que o risco jurídico se materializa frequentemente de forma silenciosa, acumulando-se em práticas cotidianas que parecem inofensivas, mas violam normas específicas. A ausência de uma estrutura de compliance impede que esses problemas sejam identificados antes de se tornarem irreversíveis.

Como estruturar um programa de compliance adequado à realidade da empresa?

Um programa eficaz começa pelo mapeamento dos riscos específicos do setor em que a empresa atua. A partir desse diagnóstico, são desenvolvidos códigos de conduta, canais de denúncia, políticas internas e treinamentos periódicos para colaboradores em todos os níveis hierárquicos. A estrutura precisa ser funcional, não apenas documental.

Gilmar Stelo frisa que o tamanho da empresa não é critério para dispensar o compliance. Pequenas e médias empresas também celebram contratos, lidam com dados pessoais e se relacionam com o poder público, o que as expõe aos mesmos riscos regulatórios. A escala do programa pode variar, mas sua ausência nunca é justificável.

O compliance se aplica apenas à relação das empresas com o poder público?

Essa é uma compreensão equivocada e ainda bastante comum. O compliance abrange relações comerciais entre privados, gestão de dados de clientes e colaboradores, políticas trabalhistas e controles financeiros internos. Sua abrangência é tão ampla quanto os riscos a que qualquer organização está exposta no exercício de suas atividades.

O doutor Gilmar Stelo, advogado e fundador do escritório Stelo Advogados, defende que enxergar o compliance como ferramenta estratégica, e não como obrigação burocrática, é o que diferencia empresas resilientes daquelas que enfrentam crises repetidas. Organizações que investem em conformidade constroem bases mais sólidas para crescer e atravessar períodos de maior escrutínio regulatório com segurança.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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