Levantamento da Pro Música Brasil mostra que 96% das faixas mais ouvidas no primeiro semestre são de artistas nacionais.
Um novo levantamento sobre os hábitos de consumo musical dos brasileiros trouxe dados que confirmam a força da produção nacional dentro das plataformas de streaming. A Pro Música Brasil divulgou o ranking das 50 músicas mais reproduzidas no país durante o primeiro semestre de 2026, consolidando informações vindas das principais plataformas digitais em operação no mercado brasileiro. O resultado reforça uma tendência que já vinha sendo observada nos últimos anos, com o público nacional priorizando artistas do próprio país em detrimento de lançamentos internacionais. Rolling Stone
Como foi construído o levantamento
O estudo considera reproduções feitas no Spotify, YouTube, Deezer, Apple Music, Amazon Music e Napster, o que garante um panorama amplo sobre o comportamento do ouvinte brasileiro em diferentes serviços de streaming. Essa metodologia ampla é um dos pontos que dão mais credibilidade ao ranking, já que evita distorções que poderiam surgir caso os dados fossem retirados de apenas uma plataforma específica, com hábitos de uso muito distintos entre si. Rolling Stone
A escolha por reunir tantas fontes diferentes também ajuda a captar particularidades regionais do consumo musical brasileiro, já que certos serviços de streaming têm penetração maior em determinadas faixas etárias ou regiões do país. Esse cuidado metodológico tende a refletir de forma mais fiel o que de fato está tocando nos fones de ouvido e nas caixas de som pelo Brasil afora, ao longo dos primeiros seis meses do ano.
O retorno do sertanejo ao topo das paradas
Segundo o levantamento, o sertanejo voltou a liderar o ranking geral, recuperando a posição que havia perdido para o pagode em estudos anteriores. Esse movimento de troca na liderança entre os dois gêneros mostra como o gosto musical do público brasileiro segue em constante oscilação, sem que um único estilo consiga se manter isolado no topo por muito tempo. Rolling Stone
A faixa “Eu Te Seguro (Ao Vivo)”, de Panda e MJ Records, aparece na primeira posição do ranking, seguida por “Jetski”, de Pedro Sampaio, MC Meno K e Melody, enquanto “Posso Até Não Te Dar Flores”, de DJ Japa NK, MC Meno K, MC Ryan SP e MC Jacaré, completa o pódio. A presença de faixas com forte influência do funk entre as primeiras colocações, ao lado do sertanejo, mostra como as fronteiras entre os gêneros populares brasileiros têm ficado cada vez mais estreitas nas plataformas digitais. Rolling Stone
O domínio da música nacional sobre as produções internacionais
Um dos dados que mais chama atenção no estudo é justamente o predomínio esmagador de artistas brasileiros entre as faixas mais ouvidas. Das 50 músicas presentes no ranking, 48 são de produção nacional, o que representa 96% da lista analisada pela Pro Música Brasil. Esse índice reforça como o público brasileiro tem se voltado cada vez mais para a produção local, em um cenário diferente do observado em boa parte de outros países, onde artistas internacionais costumam ocupar fatias maiores das paradas de streaming. Rolling Stone
Apenas duas produções internacionais aparecem entre as mais executadas do período, sendo elas “Swim”, do grupo sul-coreano BTS, na 23ª posição, e “The Fate Of Ophelia”, de Taylor Swift, na 41ª colocação. A presença isolada dessas duas faixas mostra que, mesmo diante de fenômenos globais de grande alcance, o consumo musical brasileiro tende a se concentrar fortemente em produções cantadas em português e voltadas para o gosto local. Rolling Stone
Esse padrão de comportamento vem sendo estudado por especialistas do setor fonográfico como um reflexo direto do fortalecimento da indústria musical brasileira nos últimos anos, com investimentos cada vez maiores em produção, distribuição digital e marketing voltado especificamente para o público interno. A força do sertanejo, do funk e do pagode dentro desse cenário mostra como gêneros de raiz essencialmente nacional têm conseguido se adaptar com sucesso à lógica das plataformas de streaming, sem perder a identidade que sustenta sua base de fãs mais fiel.
Para quem acompanha de perto o mercado musical, o levantamento da Pro Música Brasil funciona como um retrato bastante fiel do momento vivido pela indústria fonográfica nacional. A expectativa agora é sobre como esse cenário deve se comportar ao longo do segundo semestre, especialmente com uma agenda recheada de lançamentos de artistas nacionais e internacionais programada para os próximos meses. Se a tendência observada no primeiro semestre se mantiver, é provável que o público brasileiro continue priorizando a produção local, consolidando ainda mais a força do sertanejo, do funk e de outros gêneros nascidos dentro do próprio país.