Vaca Muerta, TAG e Transpetro: Uma proposta para ampliar a oferta de gás no Brasil

Diego Velázquez
5 Min de leitura
Paulo Roberto Gomes Fernandes

Paulo Roberto Gomes Fernandes, nome atuante no desenvolvimento do setor de infraestrutura energética no Brasil, observa que o país convive há anos com uma contradição difícil de justificar: possui reservas de gás natural em escala expressiva, tem acesso potencial a reservas ainda maiores na Argentina e ainda assim mantém uma parcela relevante de sua indústria abastecida por combustíveis alternativos de maior custo. A solução para esse impasse passa por uma articulação institucional que o setor ainda não realizou, e que ele decidiu propor diretamente.

O diagnóstico: um mercado fragmentado que não conversa consigo mesmo

A malha de gasodutos brasileira é operada por diferentes empresas com interesses e agendas distintos. TAG, Transpetro, TBG, NTS e outras operadoras gerenciam trechos de uma rede que, na prática, não é pensada de forma integrada. Cada empresa otimiza seu próprio trecho sem uma visão sistêmica do potencial de ampliação da oferta que uma articulação conjunta poderia viabilizar.

Esse modelo fragmentado impede que o Brasil aproveite oportunidades de expansão que exigiriam coordenação entre múltiplos agentes. A construção de um gasoduto conectando Vaca Muerta ao mercado brasileiro, por exemplo, envolveria decisões que nenhuma empresa poderia tomar isoladamente.

O resultado prático é o marasmo que Paulo Roberto Gomes Fernandes descreve com clareza: um setor com potencial de crescimento expressivo que permanece estagnado por ausência de instância de coordenação e de diálogo de alto nível entre seus principais protagonistas.

A proposta da reunião de alto nível

A resposta de Paulo Roberto Gomes Fernandes ao diagnóstico foi concreta: propor publicamente uma reunião entre os presidentes das principais empresas e agências do setor. A lista de interlocutores sugeridos inclui os presidentes da TAG, da Transpetro, da TBG e da NTS, o vice-presidente de Desenvolvimentos Internacionais da Pan American Energy no Brasil, a diretora-geral interina da ANP, o diretor-geral da EPE e o presidente do BNDES.

Paulo Roberto Gomes Fernandes
Paulo Roberto Gomes Fernandes

A proposta incluiu ainda a participação da FIRJAN como possível anfitriã do encontro, reconhecendo que uma iniciativa capitaneada por uma entidade de representação industrial teria maior neutralidade e legitimidade do que uma convocação partindo de uma empresa específica do setor.

Vaca Muerta e o potencial da interligação com a Argentina

O gasoduto que conectaria as reservas de Vaca Muerta, na Argentina, ao mercado brasileiro percorreria mais de mil quilômetros e teria custo estimado de até sete bilhões de reais pelos métodos construtivos tradicionais de tubulação enterrada. Esse valor torna o projeto financeiramente desafiador para qualquer empresa isolada.

Paulo Roberto Gomes Fernandes apresenta, contudo, uma alternativa que muda completamente a equação: a adoção de dutos aparentes no lugar da tubulação enterrada. Método já consolidado em vários países, o duto aparente pode reduzir o custo de construção em até dois terços, tornando o projeto viável com investimento substancialmente inferior ao estimado pelos métodos convencionais.

A tecnologia de suportação desenvolvida pela Liderroll, incluindo os roletes de plástico de alta performance que eliminam os problemas de corrosão e desgaste por atrito, é precisamente o tipo de solução que viabiliza operacionalmente uma malha de dutos aparentes de longa extensão com custo reduzido de manutenção.

O que está em jogo além do gás

A ampliação da malha de gás natural no Brasil tem implicações que vão além do setor energético. O acesso ao gás natural em regiões hoje desassistidas reduziria o custo de energia da indústria local, aumentaria a competitividade de cadeias produtivas inteiras e contribuiria para a redução de emissões ao substituir combustíveis líquidos de maior carbono.

Há ainda uma dimensão logística que Paulo Roberto Gomes Fernandes sugere com consistência: o uso de dutos para o transporte de grãos. O Brasil perde cerca de 30% de sua safra de soja e milho no transporte por caminhões até os portos, em função das condições das estradas. Uma malha dutoviária expandida poderia absorver parte desse fluxo, reduzindo perdas e custos de forma estrutural.

Para Paulo Roberto Gomes Fernandes, a proposta de reunião não é um gesto simbólico: é o reconhecimento de que o Brasil tem as condições técnicas, os recursos energéticos e as soluções construtivas necessárias para resolver seu déficit de infraestrutura de gás, e que o que falta é a vontade de sentar e decidir.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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